Você já decidiu que nas próximas férias seu propósito será mais do que uma viagem de lazer? E que é possível provocar uma verdadeira mudança de perspectiva na sua vida e na de centenas de outras pessoas? Ótimo! O desejo de conhecer destinos nacionais do turismo social já te conquistou e agora é hora de planejar o melhor passo a passo para tornar essa vontade uma realidade.

Neste artigo vamos apresentar todos os pontos e questões para te auxiliar neste processo. Até porque se para apenas uma viagem de fim de semana é necessário ter organização, imagina quando você tem um objetivo muito maior e mais nobre.

Para isso, é preciso avaliar alguns aspectos e, claro, contar com o auxílio de uma agência especializada com a finalidade de ser uma ponte segura entre a sua vontade de transformação social — e desbravamento nacional — com as necessidades de cada região, comunidade e projeto voluntário. Confira as dicas do post que preparamos!

Procure por uma área de afinidade com suas competências e preferências

Existem dezenas de atividades que você pode desempenhar em um trabalho voluntário, como ensinar uma segunda língua, práticas esportivas, reforço escolar, cuidar de animais em situação de risco, preservação de reserva ecológica, etc. O importante é você sentir prazer nas suas tarefas e acreditar que fará diferença para aquela comunidade.

O Projeto Tamar, por exemplo, é uma opção para quem curte ficar em contato com a natureza e os animais. Se você ainda quer explorar o litoral nordestino, essa é sem dúvida uma ótima escolha. Tenha em mente que você precisa se sentir à vontade para ajudar o próximo.

Já se o contato com a natureza não é o seu forte, um projeto voltado para educação infantil pode ser a solução. O Ciranda Sertaneja, por exemplo, promove o contato das crianças do sertão pernambucano com a criatividade e o mundo das letras. Ou seja, não se preocupe, sempre haverá uma função que se encaixa melhor ao seu perfil.

Analise se o seu tempo de férias é suficiente para ajudar

Pode ser que você tenha apenas um mês, duas semanas ou três dias para se dedicar ao projeto com o qual você se identificou. É normal se questionar se o seu trabalho de curto prazo realmente causará impacto naquela região. A melhor resposta para essa dúvida é: sim! Apenas um dia que você dedica a ensinar algo novo e ter contato com outra cultura já é uma experiência magnífica para ambas as partes.

Para o tempo não ser um problema, busque opções de uma semana ou menos, como projetos de infraestrutura. Eles são os mais indicados para receber mão de obra voluntária em abundância sem a preocupação do período de disponibilidade, como em construção de casas, criação de sistemas para captação de água potável e a restauração de fachadas.

Conheça os responsáveis pelo projeto que você quer ajudar

Na pesquisa sobre o seu destino e as tarefas a desempenhar, você vai encontrar dezenas de ações, seja de famosas instituições ou organizações comunitárias. Vale lembrar que os projetos das próprias comunidades costumam surgir de uma necessidade latente da região e ter um líder local para acompanhar a sua experiência.

Conhecer as pessoas envolvidas com o trabalho é essencial para identificar se aquele projeto realmente está fazendo diferença para os moradores. Pesquise sobre as atividades realizadas e como elas estão relacionadas em tornar aquela comunidade mais desenvolvida e independente em determinado momento. O importante é saber quais são os objetivos e as intenções para melhorar a qualidade de vida daquela região.

Saiba como será o seu plano de atividades

Para não se sentir perdido na instituição em que você vai ajudar, é importante saber exatamente quais serão suas atividades no local. Deste modo, pergunte para a sua agência e o responsável pelo projeto como os voluntários atuam e como o desempenho deles contribui para comunidade.

Além de entender melhor a estrutura de organização, você também terá uma sensação maior de confiança sobre seu papel e seu poder de fazer a diferença. Mas se a instituição apresentar um panorama desorganizado, pode ser que eles precisem ainda mais de ajuda.

Se você pode auxiliar com ferramentas de gerenciamento de projetos, não hesite em se oferecer para gerar um plano de ação, comunicação ou, até mesmo, na atração de mais voluntários.

Defina quais são os objetivos daquele projeto a longo prazo

Se você vai se dedicar a uma atividade, é relevante saber o quanto o seu esforço será valioso e qual o legado que você está ajudando a construir. Grande parte das Organizações Não-Governamentais (ONGs) tem página na internet ou em uma rede social. Não é difícil, portanto, encontrar informações sobre as diretrizes, os objetivos e os programas já realizados por eles.

Se, no entanto, você não localizar informações, pergunte e busque entender como eles estão comprometidos com aquela comunidade. O ideal é que os programas de voluntariado zelem pela educação, transmissão de conhecimento, troca de experiências e construam um legado social que torne aquele ambiente independente no futuro.

Veja se as ações realizadas promovem o desenvolvimento local

Saiba que iniciativas educacionais e de capacitação de mão de obra são exemplos práticos de como o projeto pode estar focado em criar uma comunidade mais independente.

Contudo fique atento também se o empreendimento está de acordo com os conceitos do Turismo de Base Comunitária (TBC), ou seja, se o modelo de gestão de visitação é protagonizado pela comunidade e está realmente gerando benefícios coletivos, vivência intercultural e a valorização da história e cultura local.

Lembre-se que o turismo social é transformador e você deve estar aberto para mergulhar em uma nova experiência e promovê-la de acordo com os modelos de conservação da sociobiodiversidade, equidade social e partilha cultural, como emprega o ICMBio em sua cartilha para a transparência e gestão de um turismo consciente e responsável.

Esteja pronto para embarcar em uma experiência transformadora

Você já conversou com algum voluntário ou, pelo menos, leu depoimentos desta experiência na internet? Os voluntários, em grande parte, compartilham que é impossível manter a mesma visão de mundo depois da imersão em outra realidade dentro do nosso próprio país. O Brasil é uma nação de vasta pluralidade e multiculturalismo.

O sertão do Nordeste e Centro-Oeste, as favelas do Rio de Janeiro ou a periferia de São Paulo são regiões ímpares formadas por pessoas sedentas por novos saberes e vontade de compartilhar ideias.

Os destinos nacionais de turismo social são oportunidades de sentir e fazer a diferença no nosso território, seja no desenvolvimento local ou na valorização da representatividade da cultura regional e seu modo de vida. As questões expostas aqui são um norte para o seu planejamento de viagem e ponderações sobre o que é realmente importante para tomar a melhor decisão.

Vale a pena ainda conferir o nosso post sobre alguns dos obstáculos do turismo social e como ultrapassá-los sem dor de cabeça. Boa aventura!