A palavra “empatia” está na moda atualmente. Mas o que é empatia? De origem grega, o termo pode ser entendido como aceitação, compreensão, se colocar no lugar do outro.

Empatia é diferente de caridade, bondade ou simpatia, pois não se limita à pratica de boas ações. Trata-se de um olhar diferente sobre as pessoas, com a compreensão e a aceitação de suas dores e de suas limitações, sem se esquecer de valorizar e incentivar seus pontos positivos.

A pessoa empática procura ajudar conforme as reais necessidades do outro — e não somente de acordo com aquilo que ela acha que é melhor. Ou seja, faça pelos outros aquilo que eles gostariam que fosse feito por eles. Esse é o truque e o diferencial da empatia.

Para ajudar você a entender melhor o que é empatia, qual papel que ela desempenha no mundo e nas relações entre as pessoas e como você pode se tornar uma pessoa mais empática, nós da Chronus elaboramos esse material com tudo o que você precisa saber para desenvolver esse traço de personalidade. Confira!

ANTES DE MAIS NADA: O QUE É EMPATIA?

De forma bastante ampla e genérica, a empatia pode ser definida simplesmente como a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, de entendermos sua forma de pensar ou até mesmo de compartilharmos seus sentimentos em relação a algo.

De um ponto de vista evolutivo, os ancestrais dos seres humanos, que viviam em pequenos grupos nas copas das árvores, precisaram desenvolver uma série de mecanismos psicológicos que reforçassem os laços entre os membros do grupo.

O estreitamento desses laços era importante, uma vez que, como animais vivendo em bandos, eles precisavam contar uns com os outros para se protegerem de predadores, conseguirem comida e mesmo cuidarem dos filhotes.

Aos poucos, esses laços evoluíram para sentimentos mais complexos, à medida que o próprio cérebro se tornava também mais complexo e evoluído. Começavam a surgir então sentimentos como a empatia, a compaixão, a amizade e o afeto. Alguns linguistas também defendem que a linguagem humana surgiu da necessidade de expressar sentimentos complexos e de coordenar as atividades do grupo.

DESENVOLVENDO A EMPATIA

A ciência afirma: a empatia é um elemento essencial para o desenvolvimento infantil. Isso porque ela promove habilidades interpessoais, uma vez que a criança sabe se colocar no lugar do outro, e, consequentemente, melhora na qualidade das relações, o que afasta problemas emocionais e comportamentais neste período tão importante da vida. Mas, se você já é adulto, como desenvolver a empatia?

Uma maneira de se desenvolver a empatia depois de adulto é através da inteligência emocional. De acordo com Daniel Goleman, PhD em psicologia pela Universidade de Harvard, apenas conhecendo os seus sentimentos é que alguém será capaz de ser solidário ao sentimento alheio.

Então, trabalhe em você o entendimento de suas próprias emoções. Algumas formas de fazer isso é por meio da leitura, da escrita, da verbalização dos seus pensamentos e ao viajar e entrar em contato com si próprio.

Só buscando este autoconhecimento é que você será capaz de distinguir emoções como frustração e irritabilidade, felicidade e excitação, e, assim, por meio de um esforço consciente, colocar-se no lugar do outro.

Além disso, de acordo com pesquisa do Instituto de Tecnologia da Califórnia, outro meio de desenvolver a empatia é pela meditação da consciência amorosa, que está ligada à melhora da inteligência emocional. Segundo o Instituto, a prática tem como principal objetivo o desenvolvimento de emoções ligadas à boa vontade, gentileza e carinho, e isso auxilia no aumento da capacidade de se colocar no lugar do outro.

EMPATIA E COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA

À medida em que desenvolvemos nossa inteligência emocional e nos tornamos mais empáticos com as pessoas ao nosso redor, é comum que comecemos a perceber como a linguagem cotidiana está repleta de atitudes e vieses violentos.

Para ajudar as pessoas a desenvolverem uma forma de diálogo mais eficiente e compassiva, mais capaz de resolver conflitos e mais centrada em gerar entendimento mútuo é que o doutor Marshall Rosenberg desenvolveu a teoria da Comunicação Não Violenta (CNV).

Para Marshall, uma comunicação real, na qual os interlocutores realmente ouvem e buscam um entendimento mútuo só é possível se partimos de um pressuposto empático, ou seja, se somos capazes de enxergarmos a posição do outro sem pré-julgamentos e sem tentarmos fazer da linguagem uma competição.

Segundo o doutor, todos somos condicionados a nos comunicarmos de modo a julgar, competir, exigir e diagnosticar, a sempre apontarmos o que é certo e errado nas pessoas. Marshall acreditava que a comunicação baseada nessa forma de encarar o mundo levaria apenas a conflitos, à segregação e à miséria.

OS PILARES DA COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA

A Comunicação Não Violenta (CNV) se estrutura sobre quatro pilares fundamentais. São eles:

  • Observação;
  • Sentimento;
  • Necessidade;
  • Pedido.

A primeira fase, da observação, consiste em observarmos o que está sendo ditado completamente despojados de julgamentos e preconceitos.

Um exemplo muito comum de como poderíamos aplicar esse preceito ocorre nas situações de trabalho, ao recebermos uma crítica. Nosso primeiro impulso é levar a crítica para o lado pessoal, acreditando que se tratam de ofensas pessoais e agindo de acordo. Para exercer uma comunicação não violenta, é preciso fazer um esforço e ouvir a crítica da forma mais objetiva possível.

Após a observação, entre em cena o segundo pilar: o sentimento. Observe quais emoções aquela conversa despertou em você. Raiva? Ansiedade? Confusão? Alegria? Excitação? Medo? Compreender como reagimos às interações é fundamental para que possamos aplicar os demais preceitos.

Como vimos, a própria comunicação humana surge da necessidade de estabelecer um ambiente seguro dentro das comunidades primitivas, e é aí que entra nosso terceiro pilar: o da necessidade.

Procure identificar quais as suas necessidades e quais as necessidades do outro naquela interação. Tente fazer isso sem nenhum tipo de julgamento moral. Apenas quando identificamos as necessidades que movem a nossa fala e a fala do outro é que podemos encontrar uma solução verdadeira.

O último pilar da comunicação não violenta é o pedido. Aqui surge o fim último da comunicação: expressar a necessidade que temos de uma ação que parta do outro. A ideia aqui é gerar uma comunicação clara e objetiva, expressando diretamente aquilo que queremos, sem dar dicas ou pistas.

Para que seu pedido não seja interpretado como uma exigência, é fundamental que você deixe espaço para que o outro discorde de você, sugira outras soluções para a sua necessidade ou mesmo diga não.

TENDO ATITUDES EMPÁTICAS

Ajudar o próximo é uma atitude muito nobre, mas a empatia vai além da simples caridade. A pessoa empática costuma ser mais pontual e efetiva em suas ações, já que analisa os reais desejos e necessidades daqueles a quem pretende ajudar.

Por outro lado, a pessoa empática nem sempre espera sua ajuda ser solicitada para começar a trabalhar. Por exemplo, quando há uma grande tragédia, ou desastres naturais, como terremotos ou enchentes, logo se observam voluntários vindo de todas as partes do mundo para ajudar os necessitados, espontaneamente.

Mas não precisamos esperar que aconteça algo ruim para praticarmos a empatia. Podemos começar no nosso dia a dia, ouvindo e acolhendo, ajudando e respeitando as pessoas à nossa volta.

Procurar causas com as quais se identifica e ajudá-las também é uma característica das pessoas empáticas. Não contentes em auxiliar as pessoas em seu entorno, elas querem fazer mais pelo mundo.

Desenvolver uma comunicação não violenta é um processo ativo. No começo expressar-se através desses preceitos pode ser bastante desafiador, como sempre é quando mudamos um hábito profundamente arraigado. Portanto, tenha paciência consigo mesmo e foque seus esforços em desenvolver uma comunicação mais empática um dia de cada vez.

NÃO CONFUNDA EMPATIA COM SIMPATIA

Agora que você entende o que é empatia e como ela se manifesta através de uma comunicação não violenta, é preciso fazer uma distinção fundamental entre empatia e simpatia.

Embora a empatia busque uma comunicação pacífica, visando encontrar soluções que atendam às necessidades de todos os envolvidos sem gerar conflitos entre as pessoas, ela por muitas vezes não é simpática.

Sobretudo em momentos de crise, de tomada de decisões difíceis e de resolução de problemas sérios, comunicar-se de forma não violenta pode ser também comunicar-se com firmeza, expressando de maneira clara o que naquela situação não lhe deixa feliz ou vai contra seus valores e por quê.

Uma pessoa simpática, por outro lado, evitará qualquer forma de conflito, mesmo que este seja necessário para que se chegue a um denominador comum. Não é raro que encontremos pessoas extremamente simpáticas que, apesar de nos saudarem com palavras amigáveis e um sorriso no rosto, não se preocupam com aquilo que é melhor para todos e não levam em consideração os sentimentos e necessidades das outras pessoas.

IDENTIFICANDO PESSOAS INDIVIDUALISTAS

O exato oposto da empatia é o individualismo. A pessoa individualista pensa somente em si mesma e nos seus interesses, não tendo tempo ou disposição para ajudar ou ouvir os demais. Ou pior, há muitas pessoas extremamente individualistas e com habilidade ímpar em serem simpáticos e convincentes. Mas basta um pouco de CNV para desmascara-los.

Na nossa sociedade, infelizmente, o individualismo é exaltado e incentivado. Quem nunca ouviu a frase “cada um por si”? Vemos cada vez mais pessoas conectadas em seus tablets e celulares, sem erguer a cabeça para olhar o mundo à sua volta.

Indivíduos assim perdem a oportunidade de conhecer os demais, de ajudar e também de serem ajudados, pois se tornam tão fechados neles mesmos que a aproximação tende a ser impossível. Com o tempo, tendem a se tornar cada vez mais solitários.

Não praticamos a empatia esperando recompensa ou reciprocidade. Porém, ao se abrir para o mundo e as pessoas ao redor, formamos uma espécie de rede, onde todos têm a oportunidade de acolher e de serem igualmente acolhidos.

Dando o primeiro passo, podemos servir de exemplo para os demais, construindo pontes em vez de muros. Remar contra a maré do individualismo é um ato de doação e coragem, mas a recompensa pode ser gratificante e encorajadora ainda que tardia!

EMPATIA E DESIGN THINKING

Design Thinking (DT) é uma metodologia de gestão de projetos de forma empática que tem ganhado destaque dentro das principais escolas de administração do mundo, por conseguir unir uma abordagem humanista à alta eficiência.

O método do DT começa com a imersão na realidade que se deseja alcançar, seguida da criação e protótipos, testes e aplicação do produto ou serviço. A abordagem da Escola de Design Thinking, por exemplo, se mostra extremamente empática porque parte da imersão na realidade em que se deseja agir, possibilitando uma observação sem real e sem preconceitos. Assim, ela se diferencia das abordagens mais tradicionais, onde se constrói uma persona com base em estatísticas e anseios presumidos.

TORNANDO O MUNDO UM LUGAR MELHOR

As pessoas que procuram trabalhar a empatia têm mais facilidade de se conectar com as causas em que realmente acreditam e de ir ao encontro daqueles que mais necessitam. E isso ocorre não só onde moram, mas também em outros lugares do mundo.

Não é preciso dedicar a vida inteira somente a ajudar os outros, deixando nossos interesses totalmente de lado: podemos exercer trabalhos sociais e voluntários durante as férias ou definindo frequência específica durante semana e final de semana. Dessa forma, é possível unir o útil ao agradável.

No turismo social, temos o prazer e a emoção de viajar, de passear e de conhecer lugares e pessoas novas. Mas, ao mesmo tempo, temos a oportunidade única de oferecer nossa ajuda e nossas habilidades onde elas são mais necessárias, desenvolver a empatia e fazer a diferença nos lugares em que visitamos, espalhando o bem.

EMPATIA EM TODA PARTE: TURISMO SUSTENTÁVEL E TURISMO SOCIAL

O turismo sustentável, em que o visitante procura, acima de tudo, ser consciente do próximo e ter empatia com as comunidades que visita, já se tornou uma tendência. Durante suas viagens, o turista sustentável:

  • não polui ou agride a natureza dos lugares, nem maltrata os animais;
  • valoriza o comércio local, como pequenos restaurantes, artesãos e guias locais;
  • procura conhecer a cultura das pessoas nativas;
  • buscam opções e propostas diferentes de hospedagem.

Além disso, há pessoas que aliam o turismo sustentável ao impacto social positivo, se dedicando a fomentar toda a cadeia no local visitada e não somente grandes players do turismo tradicional. Esse é o chamado turismo social.

Nessa modalidade, o viajante, além do simples e puro prazer do passeio, de aprender novos conhecimentos e de estar em contato com novas culturas, pode praticar e expandir sua capacidade de empatia, se esforçando em conhecer as necessidades dos moradores e em ajudá-los.

O auxílio ocorre de maneira espontânea ou dirigida, com o turista participando de projetos, consumindo de produtores locais e buscando opções não convencionais, mas em acordo com a necessidade específica daquela região — que pode ser tanto sócio econômico ou voltado para a preservação do meio ambiente. Há vários projetos em curso atualmente, oferecidos gratuitamente ou cobrando uma taxa dos participantes.

Agora que você já sabe o que é empatia e como ela pode mudar o mundo ao seu redor, aproveite para saber como o trabalho voluntário pode ajudar seu desenvolvimento profissional.